"Quantas e quantas vezes na nossa vida nos afastámos de pessoas por motivos de dor? Porque nos magoaram, porque nos decepcionaram tanto, que deixámos de ter espaço no nosso coração para os sucessivos e repetidos pedidos de perdão de que elas precisavam, sempre que erravam. Até que chegou um dia em que decidimos afastarmo-nos. Porque sim, conseguimos perdoar, mas não sempre a mesma pessoa. Temos pena de que a história com aquela pessoa termine assim, mas temos pena sobretudo que a pessoa continue a errar sucessivamente, sem se aperceber de que nos consome o coração por inteiro e sem se preocupar que fiquemos sem espaço para que outras pessoas eventualmente o magoem também. Essas pessoas deixam-nos tão vazios, tão magoados, que irmo-nos embora das suas vidas, apesar de difícil, é muitas vezes o que nos salva. Mas depois há aquele dia em que, passado muito tempo, nos reencontramos com a pessoa. Ela surge-nos à frente, igual a si mesma. Eu sempre acreditei que quando reencontramos as pessoas que nos magoaram e pelas quais sofremos, o nosso coração diminuiria de tamanho e seríamos atirados para o passado, com todo o sofrimento de antes. Mas não. Existe pior do que isso. Existe aquele sentimento de olhar para aquela pessoa e de nos perguntarmos o que é que vimos nela um dia para que fosse importante para nós. O que é que vimos naquela pessoa que nos levou a sofrermos tanto por ela, a passarmos tantas e tantas horas a ver onde é que errámos. E ali estamos nós. A olhá-la de frente, para a pessoa. Igual como sempre foi. Mas desta vez não nos entristece. Nem alegra. Nem revolta. Nada. E é essa indiferença de sentimentos que nos provoca que dói. Afinal de contas, como é que permitimos que algumas pessoas ocupem um lugar tão importante nas nossas vidas, sem nos apercebermos da sua verdadeira natureza? Por que é que é preciso crescermos, envelhecermos, vivermos tanto, para conseguirmos um dia passar por elas na rua, conversar com elas, e ver, aí sim, que poderíamos por ventura permitir-lhes que entrassem na nossa vida, mas só o pouco e suficiente para que não nos destroçassem o coração irremediavelmente para sempre."
P.S: Não fui eu que escrevi, mas sinto que um dia quando nos cruzamos pessoalmente não vou olhar para ti com desprezo ou ódio. Olho, para uma pessoa que um dia esteve naquele lugar em que é raro alguém conseguir entrar..
P.S: Não fui eu que escrevi, mas sinto que um dia quando nos cruzamos pessoalmente não vou olhar para ti com desprezo ou ódio. Olho, para uma pessoa que um dia esteve naquele lugar em que é raro alguém conseguir entrar..
O texto pode não ser teu, mas foi excelentemente bem escolhido. E posso dizer com a experiência que tenho, que essa dor de olhar para alguém que já não nos inspira amor, ódio, nada, mas que um dia existiu e ocupou um espaço tão grande cá dentro, existe sim. E é uma dor que experimentei há pouco, e nunca tinha sequer imaginado ser possivel sentir-se.
ResponderEliminarBom domingo para ti!
Beijo