"Um dia ainda hei-de ser capaz de me agarrar às asas de uma águia,e voar com ela.
Levarei comigo um pedaço de noite na confusão da minha mala.
Não me posso esquecer de levar livros, canetas e papel.
Raptarei alguns pirilampos, em causticas distracções nas videiras para que os possa admirar fascinada à noite!
Levo algumas rosas, alecrim, para que o seu perfume e o sentido da Primavera, perdurem.
Talvez os pirilampos se fortaleçam nessa viagem cósmica e cintilem mais decisivamente na mais longínqua nuvem que eu encontrar.
É lá que me quero refugiar... !
Talvez eu consiga explicar aos frágeis pirilampos que o sol é uma fonte inesgotável de vida e que não há qualquer razão para preferirem a escuridão da noite para descamarem no seu bailado intermitente,fingindo uma audácia inexistente.
Quero explicar-lhes por gestos virtuosos que só os
ratos vagueiam nos túneis escuros, onde o cheiro nauseabundo mostra a decadência que somos.
Sinto-me cansada,
nauseada,
fragilizada e farta
desta azáfama que acompanha a realidade dos dias, sempre repetitivos,
exaustivamente vazios.
O que fizemos da nossa própria humanização?
Porque nos escondemos em tanta contradição?
Que realidade é esta? O desassossego que me acompanha, dia após dia, tem o mesmo sabor da atrocidade que se comete a cada momento em que fingimos, que nada vemos...
Preciso sentir-me actuante, percebes?
Preciso de sair…
respirar…
Reflectir longe.
Se me agarrar a essa águia ficarei lá em cima, sim… onde o horizonte se confunde com o rendilhado das nuvens que parecem fugir de algum sarilho também.
(....)
Ah… preciso sair,
respirar...
Reflectir longe….
Se é para enlouquecer, quero enlouquecer nas nuvens.."
Não é da minha autoria, mas identifico-me muito com isto neste momento :)
Ohh, tão lindo... é. Também me identifico. Acredita. Do fundo da minha alma.
ResponderEliminarBeijinho*